25 de Abril de 2010

Intervenção de Frederico Pereira
Presidente da Assembleia Municipal

Senhoras e senhores Deputados Municipais
Senhor Presidente da Câmara Municipal
Senhoras e senhores Vereadores
Senhoras e Senhores

Esta sessão comemorativa do 25 de Abril realiza‐se na sequência de uma proposta aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal, o que não deixa de significar que o 25 de Abril de 1974, não obstante as diferenças de opinião e de apreciação da realidade concreta, a de hoje e da que se verificou ao longo dos últimos 36 anos, o 25 de Abril de 1974, dizia, mantém‐se como uma referência incontornável da nossa vivência democrática.

Foi pois em boa hora, que a Assembleia Municipal, ela própria parte do Poder Local Democrático que resultou da Revolução de Abril, decidiu a realização desta sessão comemorativa.

Celebrar hoje a Revolução dos Cravos, 36 anos após esse glorioso dia 25 de Abril, traduz o apego e a vitalidade que o ideário democrático mantém, pelo que trouxe de concreto, na instauração das liberdades, na soberania nacional, na contribuição para a libertação de outros povos, enfim, na elevação das condições de vida do nosso povo.

Caberá aqui lembrar que, tratando‐se de um momento histórico, iniciado e concretizado pelo Movimento das Forças Armadas, que alterou radicalmente a situação vivida em Portugal, para ele contribuiu a longa resistência do povo português, que ao longo de décadas lutou, as mais das vezes em condições bem difíceis.

Isso mesmo deixaram expresso os Deputados Constituintes, inscrevendo no inicio do preâmbulo da Constituição da República, ainda hoje em vigor, que “A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista”, e que, “Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o inicio de uma viragem histórica da sociedade portuguesa”, acrescentando que “A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais”.

E bem sabemos, que nessa primeira linha de luta e resistência, o povo do Barreiro sempre esteve presente, sendo bem merecida e justa, a expressão comummente aceite, que designa o Barreiro como terra de luta e liberdade.

Foi assim que a Revolução de Abril abriu novos horizontes ao povo e ao País.
Horizontes de esperança e confiança num futuro melhor, que se expresse numa sociedade livre, justa e solidária.

É, entretanto num contexto particularmente difícil que se assiste, hoje, com perplexidade, indignação e angústia, a uma crise generalizada, que dificulta e contraria a concretização dos sonhos e legítimos anseios, propiciados pela madrugada libertadora de Abril.

É com preocupação que se constata o agravamento da situação económica e social do País, e do Barreiro, como parte integrante do todo nacional.

A crise generalizada, com expressão agravada no nosso País, indicia que o sistema terá entrado em ruptura.

As vertiginosas especulações financeiras que os paraísos fiscais e as modernas redes de comunicação propiciavam, perante a passiva tolerância dos poderes políticos, sem regulação ou controle, sobrepuseram‐se, na avidez de obter os mais elevados dividendos e lucros bolsistas, ao investimento na produção.

Os direitos conquistados durante gerações, pelos trabalhadores, foram gradualmente postos em causa pela alteração das relações de trabalho.

O desemprego e a precariedade alastraram‐se simultaneamente com a desigualdade e o empobrecimento das populações.

Os jovens estão colocados perante dificuldades acrescidas.

As classes trabalhadoras e a população em geral, foram progressivamente intoxicadas pela compulsão consumista, veiculada por uma propaganda agressiva e manipuladora.

O mito da omnisciência do Mercado, para resolver todos os problemas que ele próprio foi originando, desmoronou‐se.

Em resumo, os níveis de pobreza, resultantes do desemprego, dos baixos salários e pensões, continuam a subir, atingindo novas camadas da população, incluindo milhares de trabalhadores por conta de outrem, ao mesmo tempo que a actividade produtiva e a produção nacional se deteriora, consequência de um modelo de desenvolvimento que aposta nos baixos salários e nas exportações.

Enquanto isto, as medidas, ditas para resolver a crise, revelam‐se ainda mais gravosas.

Para que se retome o caminho da esperança, para que se concretize o sonho, impõe‐se Abril de novo.

Abril de novo significa dar resposta às necessidades do País.

Abril de novo significa adoptar políticas económicas que coloquem a riqueza do País ao serviço do bem estar colectivo, que valorizem os nossos sectores produtivos, que sejam capazes de pôr fim ao desemprego, que rompam com a nossa dependência face ao estrangeiro.

Abril de novo significa encontrar políticas sociais que ponham fim à pobreza, que acabem com a crescente exclusão social.

Abril de novo significa colocar o Estado ao serviço do povo, garantindo o acesso à saúde, à educação e à justiça.

Há que retomar o caminho de Abril, conquistando as necessárias mudanças.

Para que se concretizem os sonhos e os anseios que Abril abriu, haverá que manter o espírito aberto, todos e cada um.

Recordar e celebrar Abril, hoje, não obstante as dificuldades, é recordar que o sonho é possível.

Sabemos, que tal como há 36 anos, e em todos os anos que se seguiram, há gente, há povo, que acredita e luta por uma vida melhor.

A nós, a cada um de nós, compete‐nos contribuir com a nossa parte.

O povo do Barreiro, ciente de quanto os valores da solidariedade e do progresso social deverão prevalecer, saberá responder, hoje como sempre, aos desafios que hoje se colocam.

Celebrando Abril!

Lutando por Abril!

Barreiro, 21.Abril.2010

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