Pescadores viajaram de barco até Lisboa para protestar contra código contributivo

Cerca de 60 embarcações de pesca juntaram-se, hoje, no Tejo, perto da doca de Pedrouços, em Lisboa, num protesto que os sindicatos consideraram “expressivo” e ilustrativo do “descontentamento nacional” com a aplicação do novo código contributivo.

Perto das 8h00, dezenas de embarcações partiram da margem sul do rio. Ao desfile de protestos juntaram-se pescadores da Costa da Caparica, da Trafaria, da Cova do Vapor, do Barreiro, de Vila Franca de Xira e de Cascais.

Parte da viagem fez-se em silêncio, mas à medida que as embarcações se juntavam na margem norte, perto da doca de Predouços, começaram a ouvir-se buzinas, que não pararam de fazer barulho antes das 9h30.

Num dos barcos havia uma faixa branca onde podia ler-se: “Sindicato dos Trabalhadores da Pesca do Sul por um rendimento mais justo na pesca, pela valorização da pesca e pela garantia de segurança no mar”.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da Federação dos Sindicatos da Pesca, Frederico Pereira, fez um balanço positivo do protesto, que considerou “expressivo” e “ilustração do descontentamento dos pescadores de todo o país”.

“Com este regime o Governo quer tratar de forma diferente aquilo que para nós é igual. Consideramos que isto cria confusão e instabilidade no setor. Estas medidas vão fomentar a fuga à lota e os incumprimentos para com a segurança social”, acrescentou.

A bordo da embarcação “Nemo”, Paulo Graça, 45 anos, pescador há 31, disse à agência Lusa: “isto que aqui se vê não é a medida real do descontentamento da classe”: “Há gente que não trouxe o seu barco e pediu boleia para não gastar dinheiro na gasolina. Isto está mau, a malta tem que controlar os gastos”, afirmou.

Paulo considera que as alterações nas contribuições dos pescadores para a Segurança Social são “injustas” e argumenta que, “apesar de, com o regime anterior, muitas vezes os pescadores acabarem por pagar mais, tinham direito a mais regalias”.

Agora, acrescenta, “pagando os 118 euros que temos que pagar, não temos direito a nada e pagamos mesmo se não formos ao mar”.

O novo regime contributivo vai obrigar os pescadores a descontar todos meses 118 euros para Segurança Social, quer pesquem ou não.

Na perspetiva do Ministério da Agricultura, “o novo regime contributivo prevê um tratamento mais favorável para o setor da pesca do que o que é dado à generalidade dos setores de actividade”.

Pedro Marques, 40 anos, pescador “há praticamente 30” e proprietário do barco em que fala à Lusa, discorda da tutela. Este novo regime, diz, “é muito injusto”.

“Pago a minha Segurança social à parte, depois pago a dos rapazes que andam comigo ao mar. Feitas as contas, eles ganham mais do que eu, eu só pago. E quando chegar a minha vez de me reformar não vou ter direito a nada. O que é que eu vou comer?”, afirmou.

O protesto terminou, como previsto, por volta das 10h00. Por agora, as buzinas pararam. Os pescadores garantem que este é só ó princípio da luta.

Lusa

Publicação: 25-02-2011 13:34

Esta entrada foi publicada em Pesca, Sindicatos. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s