TRIBUNA PÚBLICA SOBRE OS PROBLEMAS DE SAÚDE NO BARREIRO

Barreiro

Promovida pela Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Alto do Seixalinho e pela Associação de Mulheres com Patologia Mamária, realizou-se hoje, no Barreiro, uma Tribuna Pública, durante a qual se equacionaram os problemas de saúde existentes no Concelho e se apontaram medidas de acção para os tempos próximos.

Na circunstância, foi tomada uma posição pública, na qual, entre outras decisões, se aprovou iniciar um processo público com vista à realização de uma Assembleia Municipal Extraordinária para debater as questões da saúde e ainda a realização de uma concentração, junto ao Hospital do Barreiro, no próximo dia 6 de Junho.

Convidado a intervir proferi a seguinte intervenção:

TRIBUNA PÚBLICA SOBRE OS PROBLEMAS DE SAÚDE NO BARREIRO

Permitam-me que agradeça o convite que me fizeram, enquanto Presidente da Assembleia Municipal, e a oportunidade que me deram de intervir nesta Tribuna Pública sobre os problemas de saúde e permitam que cumprimente calorosamente a Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Alto do Seixalinho e a Associação de Mulheres com Patologia Mamária, que tiveram a ideia, organizaram e concretizaram esta iniciativa.

Permitam ainda, e por fim, que vos envie uma também calorosa saudação, a todos os que, hoje, aqui, se dispuseram a vir debater a situação da saúde no Barreiro, questão que a todos interessa e a todos diz respeito.

É minha intenção estar aqui convosco, muito mais para ouvir do que para dizer, pelo que, vou procurar ser o mais breve possível, nesta minha comunicação.

Em qualquer caso, não queria deixar de partilhar convosco, algumas reflexões e dar algumas informações sobre este nosso problema.

Desde logo, quero dizer-lhes que a Assembleia Municipal está preocupada e atenta à situação da saúde no Barreiro, tendo, inclusivamente, na última segunda-feira, aprovado um documento sobre esta questão, que, no essencial, caracterizando a indesejável situação para que nos estão a empurrar e que estão a tentar impor aos barreirenses, conclui que haverá que tomar medidas urgentes que invertam a política de saúde que, no tempo recente, tem sido seguida e que se está a revelar desastrosa para a qualidade de saúde a que temos direito.

Na verdade, a redução de horários de funcionamento nos cuidados primários, a sobrelotação das urgências, as listas de espera, a progressiva redução ou encerramento de serviços especializados em hospitais, as dificuldades acrescidas de contratação de profissionais, a imposição de taxas moderadoras elevadas, pode ler-se no documento que aprovámos, tem conduzido, digo eu, a uma acelerada degradação do serviço de saúde e da qualidade dos cuidados prestados.

O encerramento do Centro de Saúde, na Avenida do Bocage, com a deslocação de milhares de utentes para outras unidades de cuidados de saúde primários, ou, noutro plano, a recente
publicação de uma Portaria, que desvalorizando o Hospital do Barreiro, aponta para o encerramento de importantes especialidades e valências hospitalares, são as peças, até ver mais recentes, da violenta e continuada ofensiva contra as populações, no que à saúde diz respeito, que em última análise, visa a liquidação do Serviço Nacional de Saúde.

E foi com esta caracterização da situação, que aqui rapidamente resumi, que a Assembleia Municipal, também muito em resumo, decidiu manifestar a sua oposição à política de destruição e degradação dos serviços públicos e em particular do Serviço Nacional de Saúde, exigiu a revogação da Portaria de desvalorização dos hospitais, exigiu que sejamos ouvidos quanto à reorganização de serviços de saúde que nos diga respeito, exigiu a alteração da actual política de saúde, enfim, repudiou qualquer tentativa de reduzir a oferta de cuidados de saúde à população que representamos.

É agora necessário ir mais longe, continuando o trabalho, dentro das possibilidades e das competências próprias da Assembleia Municipal, no sentido de contribuir decisivamente, para a resolução dos problemas que se colocam aos barreirenses, no plano dos cuidados de saúde.

Não me querendo alongar muito mais, como inicialmente desejava, procurarei terminar já de seguida, não sem antes partilhar convosco uma última reflexão.

Estou profundamente convencido que é importante que a Assembleia Municipal tenha tomado a posição que tomou.
Que se declare, e realmente esteja, empenhada e atenta, com vontade e disposição de contribuir para a resolução dos nossos problemas da saúde, que é o motivo por que estamos aqui hoje.

É, sem dúvida, útil e necessário que utilizemos todos os meios jurídicos e institucionais que estejam ao nosso alcance.

Mas isso, digo eu, não basta.

É necessário agir.

É necessário agir para derrotar um governo que insiste numa política que nos esmaga, nos empobrece, que nos retira direitos essenciais, como o direito à saúde.

É necessário agir, para que recuperemos a liberdade de decidirmos o nosso destino.

É necessário que, os que aqui estamos hoje, e todos os outros que consigamos ganhar para a ideia, nos juntemos e exijamos uma efectiva mudança da política de saúde que tem sido seguida pelo actual governo.

E é por isso, e assim termino, que solicito, que apelo, que nos mobilizemos para a acção.

PELA VOSSA, PELA NOSSA SAÚDE!

Frederico Pereira
Presidente da Assembleia Municipal

3.Maio.2014

Esta entrada foi publicada em Autarquias, Intervenções, Saúde. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s